Como funciona
O Prumo junta 22 indicadores da economia brasileira, de dentro e de fora, e diz de cada um se está melhorando ou piorando. Não há opinião no meio do caminho: a mesma regra vale para todos, os números da comparação aparecem ao lado de cada veredito e esta página explica tudo.
De onde vêm os dados e o que é "tempo real" aqui
Todos os números vêm de fontes públicas e gratuitas, quase todas oficiais: Banco Central, IBGE, Tesouro Nacional, IPEAData e Federal Reserve. Nenhum valor é digitado à mão. Um robô de coleta busca cada fonte e guarda a resposta original; o site lê essa resposta e faz as contas. Se uma fonte falha, o site continua mostrando o último dado bom e avisa, na página do indicador, quando a coleta falhou.
"Tempo real" depende da fonte. O câmbio muda a cada boletim do Banco Central e o Ibovespa muda durante o pregão; a inflação sai uma vez por mês e o PIB, uma vez por trimestre. O Prumo coleta cada fonte mais vezes do que ela muda, e cada indicador mostra a data da leitura e a hora da coleta.
| Fonte | A fonte atualiza | Nós coletamos |
|---|---|---|
| Banco Central: câmbio (PTAX) | 4 boletins por dia útil, das 10h às 13h | a cada 15 minutos no horário do pregão |
| B3: Ibovespa (via brapi) | durante o pregão, com alguns minutos de atraso no plano gratuito | a cada 15 minutos no horário do pregão |
| Banco Central: Selic, reservas, contas públicas, setor externo | diária (Selic, câmbio, reservas) ou mensal | 6 vezes por dia |
| Banco Central: Boletim Focus | semanal, às segundas-feiras | 6 vezes por dia |
| IBGE: IPCA, PIB, PNAD, indústria, varejo | mensal (PIB, trimestral), no dia marcado no calendário do IBGE | 6 vezes por dia |
| IPEAData: confiança e Ibovespa histórico | mensal (confiança) e diária (Ibovespa) | 6 vezes por dia |
| FRED: juros dos EUA, commodities, dólar no mundo, juro real americano | diária ou mensal, conforme a série | 6 vezes por dia |
| Tesouro Direto: taxas do Tesouro IPCA+ | diária | 2 vezes por dia |
São 30 consultas no total. A lista completa, com o endereço de cada uma, fica pública em /api/coletas.
A regra do veredito
Cada indicador tem um lado bom definido de antemão (por exemplo: desemprego caindo é melhora; inflação chegando perto da meta é melhora). Com o lado bom definido, o veredito sai sempre do mesmo jeito, nesta ordem:
- Tendência. Comparamos a média das leituras mais recentes com a média das anteriores (3 meses contra os 3 anteriores, 2 trimestres contra os 2 anteriores, 20 pregões contra os 20 anteriores). Se a média andou para o lado bom, está melhorando; se andou para o outro, está piorando. É a tendência que decide, porque ela pesa menos o ruído de um mês isolado.
- Período anterior. Se a tendência ficou parada, decide a comparação da última leitura com a anterior.
- Um ano antes. Se as duas ficaram paradas, comparamos com doze meses antes (ou quatro trimestres, ou 250 pregões).
- Última mudança. Se nada mudou em nenhuma dessas janelas (um juro parado há mais de um ano, por exemplo), vale a direção da última mudança registrada na série.
"Parado" quer dizer uma diferença menor que a última casa decimal mostrada. Quando a tendência e o último período apontam para lados opostos, a página do indicador avisa, e o veredito continua sendo o da tendência.
O desemprego sobe todo começo de ano por sazonalidade, então ele é comparado com o mesmo período do ano anterior em vez do período imediatamente anterior. Produção industrial, varejo e o PIB trimestral já vêm com ajuste sazonal do IBGE ou são medidos em 12 meses.
O veredito diz para que lado o indicador está indo, não se o nível é bom. Uma inflação de 4,6% caindo é "melhorando", mesmo acima da meta. O valor e a meta aparecem ao lado para você julgar o nível.
O lado bom de cada indicador
| Indicador | Melhora quando | Janela da tendência | Por quê | Previsão |
|---|---|---|---|---|
| Taxa Selic | cai | 3 meses | Selic caindo conta como melhora: crédito, financiamento e dívida pública ficam mais baratos.Cortar juros com a inflação longe da meta pode custar caro depois. Esse risco aparece no veredito da inflação, não neste. | Focus (mediana do mercado) |
| Inflação (IPCA) | chega mais perto de 3,0% | 3 meses | Melhora quando a inflação em 12 meses chega mais perto da meta de 3,0% (meta contínua do Conselho Monetário Nacional, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo). | Focus (mediana do mercado) |
| PIB | sobe | 2 trimestres | Crescimento maior conta como melhora. | Focus (mediana do mercado) |
| Desemprego | cai | 3 meses, contra o mesmo período do ano anterior | Desemprego caindo conta como melhora. Como o desemprego sobe todo começo de ano por sazonalidade, a comparação é com o mesmo trimestre do ano anterior. | Focus (mediana do mercado) |
| Dólar | cai | 20 pregões | Dólar mais barato conta como melhora: segura a inflação de importados e o custo da dívida em dólar.Exportadores ganham com o dólar alto. O veredito olha o efeito sobre preços, não sobre quem exporta. | Focus (mediana do mercado) |
| Ibovespa | sobe | 20 pregões | Bolsa subindo conta como melhora: mostra empresas valendo mais e mais apetite por risco no Brasil. | Modelo próprio com faixa de 80% |
| Resultado primário | sobe | 3 meses | Saldo maior (mais superávit ou menos déficit) conta como melhora. | Focus (mediana do mercado) |
| Dívida pública bruta | cai | 3 meses | Dívida menor em relação ao PIB conta como melhora. | Focus (mediana do mercado) |
| Dívida pública líquida | cai | 3 meses | Dívida líquida menor em relação ao PIB conta como melhora.Quando o real se desvaloriza, as reservas em dólar passam a valer mais em reais e a dívida líquida cai sem nenhum esforço fiscal. Por isso o Prumo mostra também a dívida bruta. | Focus (mediana do mercado) |
| Confiança do consumidor | sobe | 3 meses | Confiança subindo conta como melhora.É a única série de confiança do consumidor gratuita e atualizada que encontramos, e cobre só a capital paulista. | Modelo próprio com faixa de 80% |
| Confiança da indústria | sobe | 3 meses | Confiança subindo conta como melhora. | Modelo próprio com faixa de 80% |
| Produção industrial | sobe | 3 meses | Produção maior conta como melhora. | Modelo próprio com faixa de 80% |
| Vendas no varejo | sobe | 3 meses | Vendas maiores contam como melhora. | Modelo próprio com faixa de 80% |
| Balança comercial | sobe | 3 meses | Saldo maior conta como melhora: entram mais dólares do que saem no comércio. | Focus (mediana do mercado) |
| Reservas internacionais | sobe | 20 pregões | Reservas maiores contam como melhora: é o colchão do país contra crises cambiais. | Modelo próprio com faixa de 80% |
| Investimento estrangeiro direto | sobe | 3 meses | Mais investimento direto conta como melhora: é dinheiro de longo prazo entrando em empresas no Brasil. | Focus (mediana do mercado) |
| Juros dos EUA | cai | 3 meses | Juro americano caindo conta como melhora: o dinheiro global fica menos atraído para os EUA e sobra mais para emergentes como o Brasil. | FOMC (projeção do Fed) |
| Minério de ferro | sobe | 3 meses | Preço subindo conta como melhora: o Brasil é um dos maiores exportadores de minério. | Modelo próprio com faixa de 80% |
| Petróleo Brent | sobe | 20 pregões | Preço subindo conta como melhora pelo lado das contas externas: o Brasil exporta mais petróleo do que importa.Petróleo caro também pressiona a gasolina e o diesel. Esse efeito aparece no veredito da inflação. | Modelo próprio com faixa de 80% |
| Soja | sobe | 3 meses | Preço subindo conta como melhora: o Brasil é o maior exportador de soja do mundo. | Modelo próprio com faixa de 80% |
| Dólar no mundo | cai | 20 pregões | Dólar mais fraco no mundo conta como melhora: costuma aliviar o câmbio e atrair dinheiro para emergentes.O DXY, índice mais citado, é marca da ICE e não tem fonte oficial gratuita. O índice amplo do Fed mede a mesma coisa com mais moedas. | Modelo próprio com faixa de 80% |
| Risco-país | cai | 20 pregões | Diferença caindo conta como melhora: o mercado cobra menos para emprestar ao governo brasileiro.Não é o CDS nem o EMBI. O CDS não tem fonte oficial gratuita e o EMBI+ do IPEAData foi descontinuado em julho de 2024. Esta medida também carrega diferenças de juro neutro entre os países, não só risco de calote. | Modelo próprio com faixa de 80% |
Previsões
Focus, a referência principal
Sempre que existe, a previsão é a do Boletim Focus, a pesquisa semanal em que o Banco Central reúne as projeções de instituições financeiras e consultorias. Mostramos a mediana, a menor e a maior projeção (que servem de margem) e quanto a mediana mudou em quatro semanas. A partir de julho, a previsão principal é a do ano seguinte, porque o ano corrente já está quase todo realizado.
Comparamos a mediana com o valor atual usando a mesma regra do veredito e dizemos se ela aponta melhora ou piora. Atenção: em alguns indicadores o Focus pergunta por uma medida um pouco diferente da que mostramos (por exemplo, a inflação no ano-calendário contra a nossa em 12 meses). Quando é o caso, a página do indicador diz qual é a pergunta do Focus.
Juros dos EUA
Usamos a mediana das projeções dos membros do comitê de política monetária do Fed, publicada a cada três meses.
Modelo próprio, onde não há projeção oficial
Para Ibovespa, confiança, indústria, varejo, reservas, commodities, dólar no mundo e risco-país não há projeção oficial gratuita. Nesses casos usamos um modelo simples de propósito:
- O centro da previsão é o último valor. O modelo não aposta em alta nem em baixa, porque para preços de mercado ninguém faz muito melhor que isso de forma consistente.
- A faixa vem do próprio histórico: olhamos as variações que o indicador teve no mesmo prazo nos últimos anos (um mês para os diários, três meses para os mensais), cortamos os 10% mais extremos de cada lado e aplicamos o que sobra ao valor atual. Em preços, a variação é medida em porcentagem. Isso não garante 80% de acerto: quando o mercado fica mais agitado que no passado, a faixa erra mais.
- A margem de erro é medida, não estimada: reprevemos o passado recente usando só o que se sabia em cada data e publicamos quantas vezes o valor real caiu dentro da faixa e o erro médio do centro. Nos indicadores diários, os testes se sobrepõem (cada um olha um mês à frente), então valem menos do que o número sugere.
Acontecimentos
A lista de acontecimentos tem só publicações oficiais: divulgações do IBGE sobre os indicadores acompanhados, decisões do Copom e decisões do Fed. O título é o da fonte e o link leva à publicação original. Não escrevemos notícia.
O veredito de um acontecimento é o do indicador ligado a ele. Nas decisões de juros com corte ou alta, é a própria decisão: corte é melhora e alta é piora, pela regra do indicador. Quando o juro é mantido, e nas divulgações do IBGE, é o veredito do indicador calculado só com os períodos que já tinham sido divulgados naquele dia. Uma ressalva: o IBGE revisa as séries com ajuste sazonal a cada divulgação, e nós usamos os valores atuais desses períodos, então o veredito de um acontecimento antigo pode mudar com uma revisão.
Limites que você deve conhecer
- Risco-país não é o CDS nem o EMBI. O CDS não tem fonte oficial gratuita e o EMBI+ do IPEAData foi descontinuado em julho de 2024. Usamos a diferença entre o juro real do Tesouro IPCA+ de cerca de 10 anos e o juro real do título americano equivalente. Ela sobe e desce com o risco, mas também carrega diferenças de juro entre os dois países.
- Dólar no mundo é o índice amplo do Fed, não o DXY (que é marca da ICE e não tem fonte oficial gratuita).
- Confiança do consumidor é a da Fecomercio SP, que pesquisa só a cidade de São Paulo. O índice nacional da FGV não tem série gratuita atualizada.
- Ibovespa durante o pregão vem do plano gratuito da brapi, com alguns minutos de atraso. O fechamento oficial vem do IPEAData no dia seguinte.
- Petróleo e minério são julgados pelo lado das contas externas: o Brasil exporta os dois. O efeito do petróleo sobre a gasolina aparece no veredito da inflação.
- Selic caindo conta como melhora pelo custo do crédito. Se o corte vier com a inflação longe da meta, o problema aparece no veredito da inflação.
- O veredito diz a direção, não o nível, e não é recomendação de investimento.